jueves, 25 de junio de 2015

 Rua, por Giulianne Martins.
 
Atrás de um objeto que o subordina, tem sempre um José das ruas, um José trabalhador. Um José do mercado, da raspadinha, um José do sorvete, do picolé... 

Também tem sempre uma Maria, uma do ponto de ônibus, outra que costura, a Maria da garapa e a que tá escondidinha no asilo e que se faz sorrir com um clique de arte.

Tantos Jośe pelas ruas, tantas Marias! E por serem tantos, são todos um só, em um só olhar.

É pena que ninguém os veja... estão sempre atrás de algo, de carrinho de picolé, de raspadinha, de um balcão do mercado, ou,  simplesmente atrás da vista grossa da sociedade que corre pelas ruas e não se contagia por  esses tantos!

Eis que, derepente, eles são o centro! O CENTRO! Estão todos emoldurados e eternizados. Todos. Todos os Zés e todas as Marias. Agora são eles o centro e não há olhar que os desvie ao vê-los.









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